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Cravo Abel Vargas, 2016, inspirado em Christian Zell, 1728.

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A História do Concerto Grosso

Por Washington Luiz Sielemann Almeida · 17 de junho de 2026

Manuscrito do Concerto Grosso de Corelli

O concerto grosso foi uma das formas instrumentais mais importantes do período barroco, florescendo entre o final do século XVII e a primeira metade do século XVIII. Sua principal característica era o diálogo musical entre um pequeno grupo de solistas, chamado concertino, e o restante da orquestra, denominado ripieno ou tutti. Essa alternância de massas sonoras produzia contrastes expressivos que encantavam os ouvintes da época e ajudaram a definir a estética barroca.

As origens do gênero remontam à Itália do século XVII, especialmente às experiências de compositores como Alessandro Stradella. No entanto, foi Arcangelo Corelli quem consolidou e popularizou o concerto grosso por meio de seus célebres Concerti Grossi Op. 6, publicados em 1714. Nessas obras, Corelli estabeleceu modelos que seriam seguidos por gerações de compositores.

Entre os principais compositores que cultivaram o gênero destacam-se também Antonio Vivaldi, George Frideric Handel, Johann Sebastian Bach e Georg Philipp Telemann. As coleções de concertos grossos de Handel, especialmente o Opus 6, representam o auge do gênero, enquanto vários dos famosos Concertos de Brandemburgo de Bach utilizam princípios semelhantes de contraste entre grupos instrumentais.

Tradicionalmente, o concertino era formado por dois violinos e violoncelo acompanhados pelo baixo contínuo, enquanto o ripieno consistia em uma orquestra de cordas, por vezes ampliada com instrumentos de sopro. Essa estrutura permitia grande variedade de cores sonoras e diálogos musicais de extraordinária riqueza.

Por volta de 1750, com a ascensão do concerto para instrumento solista, o concerto grosso entrou em declínio. Ainda assim, sua influência permaneceu viva, deixando marcas profundas na evolução da música orquestral ocidental. O legado do gênero continua sendo celebrado em salas de concerto de todo o mundo, especialmente através das obras de Corelli, Handel, Bach e Vivaldi, que permanecem entre os mais importantes monumentos da música barroca.

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